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26 junho 2017

Dá pra pegar leão no colo?


Algumas histórias se repetem, mas com o passar do tempo nossa interpretação muda, começamos a perceber aspectos que ignorávamos e abrimos os olhos para detalhes que não pareciam importantes antes.

Há uns anos uma amiga se casou com um homem incrível, mas o casamento durou menos de três anos.

Eu tive a impressão na época que ela deveria estar escondendo alguma coisa, porque sempre disse que amava o marido, mas tinha algo errado no casamento.

De fora parecia certo, ele a tratava bem, a vida era mansa, mas ela não estava à vontade e pediu o divórcio, mesmo alegando que ele era o amor de sua vida.

Sei que existem segredos que não contamos a ninguém porque nem nós acreditamos no horror que são, algumas frases não conseguimos nem formular na mente, quanto mais falar disso.

Pensei que minha amiga estava nessa posição, talvez alguma coisa assustadora tinha acontecido no casamento e ela não queria falar sobre o assunto.

O marido nunca entendeu o pedido de divórcio e saiu do casamento espumando de raiva, desceu do patamar do amor ao mais profundo ódio. Era tão forte o que ele sentia que saiu da casa com a roupa do corpo, nunca mais quis voltar, nem brigou por nada.

Há pouco tempo aconteceu a mesma coisa com a irmã da minha amiga, se casou com um rapaz, aparentemente ótimo, e não durou muito.

Tenho visto umas situações assim e agora não penso mais em segredos nem informações ocultas, penso que pode ser outra coisa, de novo bato na mesma teoria, o que foi ensinado as mulheres, a maneira como fomos e somos construídas socialmente.

Estamos acostumados como sociedade a falar sobre relacionamentos abusivos, violência doméstica e homens descontrolados, mas existe uma parcela mínima, talvez abaixo disso, de relacionamentos que ficam desconfortáveis e estranhos por um outro elemento, e ninguém fala sobre isso, até porque é um assunto invisível.

Mas o ponto é o seguinte, nós, mulheres, sabemos receber amor? 

Não. Ninguém nos educou para receber coisas boas, principalmente em relacionamentos e nós agimos de acordo ao que nos ensinam, não ao que é certo ou errado.

A grande maioria das mulheres cresce em ambientes violentos, onde a autoridade masculina não pode ser questionada e os homens têm seus meios de conseguir o que quiserem, seja no grito, intimidação ou violência física. E quem pode aprender a receber amor assim?

Ninguém aprende, por isso tudo vira lixo.

Os psicólogos tecem milhões de teorias sobre o assunto, garantem que mulheres que cresceram com pais violentos repetem a mesma violência com os parceiros, mas eles ignoram o mais importante, as mulheres não conhecem a violência apenas em casa, mas em todos os lugares, recebemos tudo dos homens, menos amor.

Desde pequenas estamos cercadas por homens que nos desprezam, sejam professores, colegas de escola, depois no trabalho, somos assediadas e acossadas nas ruas e ensinadas a temer a presença masculina.

Por isso pode ser tão estranho de repente se apaixonar um homem que saiba dar amor, nos parece coisa de outro mundo e fica desconfortável.

Passei por essa situação algumas vezes, conheci um homem amoroso, mas minha mente não conseguia decifrar nem entender seu comportamento, por isso eu me sentia deslocada na relação. Fui à psicólogas que me garantiram que isso tinha cura, era apenas reflexo da minha educação, aquela famosa síndrome de algumas mulheres que só se apaixonam por canalhas.

Durante anos pensei que eu era assim, estava errada, achava que tudo era culpa do meu ambiente familiar, por isso eu escolhia os homens errados.

Levei anos para perceber que os homens ''errados'' me cercavam e não envolvia relacionamentos, eram professores, amigos, desconhecidos, por todos os lados conheci apenas a violência masculina, então como poderia ensinar meu cérebro a receber amor de um deles? É possível convencer a mente de que isso existe? Não seria como dizer que se você tiver sorte pode encontrar um leão que te deixe pegar ele no colo? 

Quando entendi toda a violência masculina que me cercava percebi que não era eu a errada, e que até nosso modo de amar precisa ser modificado, porque aprendemos errado.

Hoje entendo quando uma mulher diz que se sentiu desconfortável com um homem amoroso, até porque agora eu navego na desconfiança, quando vejo um assim fico logo pensando em que intenções esconde, fruto da cultura violenta que cresci, duvido de todas as 'fofices' masculinas.

Mas aprender a receber amor é uma das coisas mais importantes do mundo para uma mulher, porque não sabemos fazer isso de nenhum jeito, estamos tão condicionadas a sempre dar amor, que receber parece coisa de outro mundo.

Quando algo assim acontece não penso mais como um dia me disseram para pensar, diziam que eu não merecia amor, por isso acabava sem saber o que fazer quando recebia. Hoje entendo que não era questão de merecimento, mas de aprendizado, eu não aprendi a receber amor do homens porque eles nunca aprenderam a dar.

Eu tinha vergonha antes quando as pessoas diziam ''nossa, essa Iara só se apaixona por canalhas'', mas agora penso que quem deveria sentir vergonha é o mundo, por criar seres como os homens que não sabem amar e só querem receber amor. É a sociedade que deveria se envergonhar de viver em um modelo que aceita a violência masculina como algo natural.


Muitas mulheres têm que aprender a receber amor e não se sentirem desconfortáveis com isso, mas eu diria que todos os homens deveriam aprender a dar amor, pelo menos respeito.

O que vivemos agora é consequência de todos os erros na educação de todos, a tolerância com a violência masculina, a exigência de submissão às mulheres, os relacionamentos tortos e abusivos.

Amor é uma energia vital, uma força divina, mal utilizada pelos humanos, desperdiçada por todos.

E no fundo é um alívio dizer que não sou mais aquela garota com diagnósticos de psicólogos nas costas, aquela que amava canalhas. Sou uma mulher normal em um mundo doente.


Iara De Dupont






Um comentário:

pPatricia disse...

Nossa,voce levantou pontos mportantissimos,realmente,somos ensinadas a gostar de tentar conquistar e "abrandar" os durões(canalhas)e a desprezar os bananas(amorosos),e somos realmente ensinadas a sempre nos sentirmos convenientes socialmente nno sofrimento!

Pode perceber isso,quando um marido é manso,e a mulher mais dura,a sociedade diz"fulana manda em cicrano,ah,se eu fosse ele,largava nela um par de chifres para ela aprender..." e por aí vai!

É realmente horrível,mas a verdade é que fomos ensinadas no machismo,a menosprezar os homens que pareçam bons,por nos parecerem medianos,fracos,e a querer a atenção dos canalhas,porque nos parece a nós que passamos num "vestibular de relacionamentos",quando conseguimos abrandar um desses...só que não,isto nunca acontece,e aí que muitas quebram a carae não admitem que haja outras felizes com seus "medianos"...e assim caminha a humanidade!Mal...muito mal...

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