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01 março 2017

Não é pra ceder


De vez em quando lembro de alguma história das minhas tias e penso escrever a respeito. Mas logo me pergunto se não está tudo cheio de mofo, se as coisas já passaram e os tempos são outros. Desisto então.

Dias depois, como em uma mágica mal feita, aparece outra história que se parece com aquelas das minhas tias, a única diferença é que aconteceu recentemente, como se o mundo fosse um relógio parado.

A moça me contava que sonhava em se casar, daqueles sonhos que ninguém explica, ninguém entende, mas queria a festa, a igreja, o vestido.

Encontrou um Romeu, mas tropeçou em uma pedra, Romeu se dizia um homem refinado, considerava casamentos em igrejas e com festas, uma coisa cafona, de quem não tem classe. Pessoas elegantes, dizia ele, se casam em cerimônias pequenas, com jantares apenas para os próximos, o contrário disso é para gente provinciana.

Mas Julieta sonhava com isso, já tinha economizado, queria a festa. Romeu dizia que não, que era um absurdo gastar tanto, que não valia a pena e o melhor era investir em uma viagem, isso sim era bom.

Julieta ficou na mesma posição que muitas mulheres ficamos no começo, não queremos contrariar, não queremos parecer mandonas e somos obrigadas socialmente a ceder, porque os Romeus sempre sabem mais da vida do que nós, é o que parece estar escrito no livro da existência humana.

Ela tinha o dinheiro, pediu de novo, disse que era seu sonho, mas Romeu não cedeu, não queria festa grande nem a cafonice que envolve um ritual desses.

Fizeram tudo ao estilo fino e elegante de Romeu, uma cerimônia simples, mas chique, uma ida ao cartório, e ponto final, o resto do dinheiro foi gasto na viagem de lua-de-mel, no lugar que ele tinha escolhido.

Julieta tentou evitar se aborrecer, mas aquilo dava voltas por dentro, outra coisa que acontece com muitas mulheres e negamos, mas sabemos bem quando estamos sendo ignoradas e humilhadas, conhecemos bem o jogo de poder que envolve um relacionamento.

A viagem foi tensa, o lugar escolhido tinha bebidas e jogos, e Romeu não se negou a nada, caiu na vida, mas no fim deu certo e voltaram felizes.

O casamento durou quatro anos, que a moça garante que foi feliz, ele era uma pessoa legal, apesar de ter percebido que o rapaz era egoísta.

Quando tudo terminou os dois estavam de acordo com muitas coisas, sabiam que eram diferentes, e conseguiram se separar de maneira amigável, sem rastros de ódio nem mágoas.

Uns anos depois o rapaz a convidou para seu casamento, iria se casar com outra moça, mas desta vez em uma igreja e com festa grande. Julieta ficou intrigada, o que teria acontecido para fazer o rapaz mudar de ideia? Nunca quis casamento grande e agora se casaria diante de mil convidados.

Foi perguntar a ele, movida pela curiosidade e sensação de que talvez, essa moça era o grande amor de sua vida, então valeria a pena se casar com ela na igreja. Perguntou ao rapaz porque tinha aceitado se casar na igreja desta vez e ele respondeu:

-Porque era importante para ela. Deixou bem claro isso, falou que iria preparar tudo e se eu quisesse chegar, tudo bem, se não, ela iria curtir a festa do mesmo jeito.

Mas não é? A moça tinha razão, para ela era importante e não abaixou a cabeça para ordens de macho, por isso conseguiu realizar seu sonho.

A vida é simples, quando a gente não luta pelos nossos sonhos, eles parecem bobagens para os outros e ninguém se mexe. 

Ela foi trouxa em ceder, se queria um casamento na igreja tinha que ter batido o pé, se ele não quisesse que não fosse e caso resolvido.

Não adianta ceder, essa história já foi contada de mil maneiras diferentes, mas é sempre a mesma coisa, a mulher que cede e mais na frente descobre que o homem não cedeu nem vai ceder jamais.

A vida é sobre nós, não sobre eles, nem seu remoto e invisível amor, não podemos continuar ignorando o que queremos apenas porque Romeu não concorda.

É importante para mim? Então eu sigo e quem estiver no caminho que saia dele, porque não vou desviar. 

Temos pouco tempo aqui para gastá-lo cedendo espaço para os outros, mesmo que sejam os amados Romeus.

Minha pergunta é a mesma de sete anos atrás, quando comecei o blog, e eles, cedem no que? Em nada.

Mas ela ia se casar com Romeu, era importante a opinião dele!

E por que seria importante a opinião dele, se para ele o sonho dela não existia?

A resposta é simples: se meus sonhos não te interessam, você também não me interessa mais.

A vida é minha, o tempo é meu, o meu amor eu decido a quem dar e ninguém que passe por cima merece recebê-lo.

Não é mais sobre homens egoístas, mas sobre mulheres que precisam perceber que as coisas mudaram e não temos mais que ceder meio centímetro em nada.

Eles podem continuar exigindo o que quiserem, mas que fiquem sozinhos, falando com a lua.

Mulheres, não desapareçam com seus sonhos, não anulem suas vontades, não sumam na foto. É a vida de vocês e suas escolhas que interessa, o resto é a mesma coisa que existe no planeta há anos, machos ressentidos e controladores berrando por poder.

E não é só fingir que não escutamos, mas seguir nosso caminho a nossa maneira, quem quiser fazer parte dos nossos sonhos é bem vindo, caso contrário, podem descer do trem agora.


Iara De Dupont

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