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19 novembro 2015

Homens: parem de torturar as mulheres com essa conversa!


Uma amiga me perguntou:

-Você acha que nós, mulheres, somos muito reprimidas?

-Ah, depende do grau de consciência, conforme a gente reage ao mundo vai saindo fora dessa
repressão. Por quê você pergunta?

-Porque Romeu me pediu uma coisa na cama e não sei se não quero porque sou reprimida ou é porque não estou a fim.

Ah, meu assunto favorito! Métodos de tortura masculinos em um relacionamento! Adoro falar sobre isso! Tantas coisas que eu aguentei porque me diziam que era amor, mas era apenas tortura para Romeu conseguir o que quisesse.

Sexo é um tema ainda confuso. De um lado é muito recente o acesso que as mulheres têm a informação, ao conhecimento do seu corpo e a noção clara de que somos seres humanos, não bonecas sexuais. Do outro lado aparece a sempre infinita curiosa e depravada essência masculina em relação ao sexo. Não digo que as mulheres não seja taradas como os homens, mas temos que ser realistas, eles estão mil anos na nossa frente porque tiveram a liberdade para experimentar.

Eu cresci com primos e irmão, eles sempre tiveram revistas, filmes, tudo para estimular sua curiosidade, falavam disso, riam e contavam mentiras. Eu nunca falei sobre sexo com minhas primas, não ganhei revistas nem filmes da família e nunca me perguntaram meus gostos.

Uma vez durante um jantar minha tia perguntou ao meu primo se ele queria o feijão em cima do arroz ou ao lado e ele respondeu ''coloca em cima''. E meu tio disse ''moleque esperto! Já sabe que de ladinho é ruim, em cima é melhor e segura pela cintura". E todo mundo, todo mundo, todo mundo, riu. Mas imagina se fosse eu fazendo um comentário desses, no mínimo ia ser condenada com um  tapa e os olhares de desaprovação.

Graças a essa liberdade os homens têm um repertório maior em relação ao sexo, mas isso não quer dizer que saibam o que fazer com isso nem que saibam satisfazer uma mulher, pelo contrário, eu diria que a maioria tem tanta informação errada que não sabe o que fazer quando tem uma mulher na sua cama.

Tropecei muitas vezes com uma pedra, eu não sabia muito de sexo e meus namorados pareciam sempre no limite, loucos e tarados o tempo inteiro.

Quando tinha dezesseis anos a mãe de uma amiga me perguntou se eu já tinha me relacionado com alguém, eu disse que não e comentei que ficava meio ansiosa porque eu não saberia o que fazer, me torturava a ideia de chegar lá, na cama e não saber o que fazer. E ela me disse ''ah, Iara, não se preocupe com isso, os homens sempre sabem o que fazer''.

E como dizem os eruditos ''ô as idea''. Essa frase dela foi fatal para mim porque acreditei. Não falava com minha mãe sobre sexo e minhas amigas sabiam menos do que eu, então pensei que era verdade, os homens sabem o que fazer.

E começou um martírio na minha vida, uma tortura longa e barulhenta. Meus namorados diziam ''topa fazer tal coisa?'', eu não respondia e começava aquele sermão de dez horas ''você é chatinha, regula, reprimida, babaca e blá blá......''.

Lembro de um Romeu que eu adorava, achava ele incrível. Um dia ele me sugeriu uma coisa na cama e fiquei quieta, então ele disse ''te dá nojinho?'' e começou a rir. Eu nem sabia bem o que ele tinha sugerido, por isso fiquei quieta. Mas escutei durante meses que eu era fresca, nojentinha e cheia de manias de limpeza, tudo dava pé para que ele se lembrasse de um pedido seu na cama que eu não me interessei. 
Uma vez fomos a um restaurante e estávamos comendo quando umas batatas caíram fora do prato, eu disse que não iria comer e ele respondeu: ''nossa, que nojentinha, até com as batatas?''. 

Isso é uma das piores torturas e novamente meu trauma, disso ninguém fala. Quando você se nega a fazer alguma coisa na cama com teu namorado ele começa uma guerra mental, te persegue, enche o saco, coloca apelidos e vai torturando e queimando tudo que encontra.

E ficava fácil me torturar, eu era boba, sem informação, não tive ninguém para me dizer que o meu corpo era meu, as regras que valiam eram as minhas e o mais importante, sexo é uma coisa que a gente leva tempo para aprender, eu não fiz muitas coisas no começo porque não sabia bem o que eram, não foi por ''nojentinha nem metida a virgem''.

Até que um Romeu cruzou meu caminho e mudei minha percepção. Ele me pediu uma coisa e eu fiquei quieta, então ele disse ''vai no Google, dá uma olhada, vê se te interessa''. Fui lá ver, não gostei e voltei e disse isso, que não tinha gostado daquilo, mas tinha visto outra coisa que me despertava interesse e poderíamos tentar. Ele topou e não voltou ao assunto do que ele queria.

Isso me deixou claro muitas coisas, uma delas é que eu sou uma pessoa que precisa de tempo para pensar as coisas, não sou aventureira e preciso de informação, não funciono debaixo de pressão nem ofensas. O que esse Romeu fez foi a melhor coisa, jogou o assunto na roda, me disse para procurar e pensar a respeito e me deu espaço para resolver que eu não queria experimentar aquilo. Não precisou ficar meses me torturando nem me ofendendo de maneira discreta.

E vejo que as pessoas não falam sobre isso, a tortura verbal que os homens fazem em cima das mulheres por sexo, não dão espaço e não entendem que nós não temos séculos na ''sacanagem'', é tudo muito recente. Eu já passei dos trinta e ainda me pego dizendo ''é sério isso?'' quando leio sobre algumas práticas sexuais.

Os homens e mulheres estão em tempos diferentes e empurrar e torturar não leva a nada nem ajuda ninguém.

E me cansa ver isso, ainda fico com raiva porque lembro dos meus tempos de ignorante, ah, se eu soubesse naquela época como as coisas funcionavam!
Mas não sabia nada e acabava cedendo a pressão masculina, não queria ser aquela namorada ''broxante''. 

Não tem nada mais importante neste mundo do que a consciência de quem somos e dos nossos limites. Eu não sou obrigada a gostar de tudo no sexo, nem a fazê-lo, isso é uma decisão minha. Não tenho nada contra pessoas com mais libido, mais curiosas, mas eu não os ofendo e não vejo motivo para que me ofendam. Aguentei muitas ofensas de namorados por isso, era só não fazer o que eles queriam e começava a batalha.

Ora, não somos todos que gostamos das mesmas coisas!

Hoje não aceito nem argumentar, perdi um tempo enorme em diálogos assim:

-Vamos fazer tal coisa?

-Não.

-Não por quê? Já fez?

-Não.

-Então como é que sabe que não é bom? Tem que fazer primeiro!

Santa paciência! Levamos anos para entender que não precisamos fazer tudo para saber que não é bom para nós! 

Depois que tive consciência de quantas vezes fui empurrada quis morrer, nem eu acreditava na minha burrice. Mas continuo vendo meninas passando por isso, não tem muita ideia da sua sexualidade e de repente os namorados pulam nelas exigindo performances e práticas sexuais que precisam de tempo e intimidade.

As mulheres digo, tenham consciência de quem são e saibam impor seus limites, não caiam naquela conversa barata de ''todos os casais fazem'', ''se você me amasse faria'', ''não custa nada'', ''vai ser bom''. Se ficarem na dúvida corram para internet, entrem em sites, vejam filmes, puxem conversa com pessoas da área, pensem a respeito e depois se quiserem, façam, mas não acreditem que os homens sabem o que estão pedindo e sabem o que fazer, isso é lenda urbana, eles não têm a remota ideia de como fazer as coisas. Não se esqueçam mulheres, que os homens têm treinamento especial para torturar as mulheres, sabem como enlouquecer, apertar, empurrar, obrigar e às vezes até matar. Eles são educados para pensar que quando nós dizemos ''não'' estamos dizendo ''sim'', eles são levados a acreditar que mulher sempre vai dizer ''não'', então é dever deles convencer a mulher para conseguirem o que quiserem. 

E a pior parte é descobrir que eles são péssimos amantes e algumas coisas que eles pedem poderiam até ser legais, caso eles soubessem o que fazer.

E aos homens meu recado, parem de encher o saco das mulheres, se querem um repertório mais vasto, estudem o assunto, aprendam a ser educados e conversem com as mulheres sobre isso, não adianta ir se jogando na cama e exigindo, sejam um pouco inteligentes e discutam sobre sexualidade humana, as diferentes expressões, leiam, se informem, deixem de lado essa pornografia barata e dicas de revistas, procurem o lado sério do tema, aprendam a respeitar as mulheres, o tempo de cada uma, entendam que não somos brinquedos nem estamos aqui para satisfazer vocês e melhorem sua performance, porque do jeito que está não dá mais, vocês são péssimos na cama.



Iara De Dupont

2 comentários:

Cris disse...

E quando a mulher se interessa por algo e quer experimentar? Ou quando topa por livre e espontânea vontade experimentar de tudo? É vadia pra cá, piranha pra lá, puta, vagabunda e todo tipo de alcunha machista visando envergonhar essa mulher e reprimir sua sexualidade. Decidam-se, machistas imbecis (uups, pleonasmo): vocês querem uma mocinha pura e inocente que "se dê ao respeito" ou querem uma puta safada disposta a tudo na cama? Não sei se papai e mamãe ensinaram a vocês (os meus fizeram isso quando eu tinha 5 aninhos), mas não dá pra se ter tudo que quer; é preciso escolher e viver com essa escolha. É ou a mocinha comportada ou a garota safada.

*Som de corpos atingindo o chão* Epa, acho que fui direta demais. Bom... dane-se (sai saltitando por um campo de margaridas ao por do sol).

Anônimo disse...

É complicado essa questão, só consegui me soltar, falar e fazer o que eu queria depois de conhecer o feminismo, entendi que sou uma pessoa que tbm pode ter desejos e fantasias, não estou ali como objeto do prazer e fantasias do meu marido. Mas como a grande maioria fui criada pra casar virgem, nunca procurar o marido, pq mulher tem que se dar o respeito, estar sempre disponível qdo ele quiser, não fazer td na primeira vez, pra que ele não te ache uma puta.... E aí por diante, a cartilha da esposa do século passado kkkkk. Mas com a leitura e conhecimento me libertei de td isso, comecei a pesquisar sobre sexo, o que eu gosto mando no WhatsApp dele, ele lê e gosta muito, hj somos um casal aberto a novidades, milhões de vezes mais felizes do que antes, conversamos abertamente sobre o que queremos experimentar, deixei o tabu de lado, mas td tem que ter intimidade e mta conversa. Nesse caso acima, me parece um casal meio desajustado um com o outro, o homem foi criado na putaria, então td o que ele quer é tratado normalmente, já a moça deve achar que a proposta não deve ser realizada por não condizer com sua criação, mas em hipótese alguma conversaram sobre os desejos dela, ele pediu, ela não aceitou e foi mais uma vez reprimida, e se ela fizer, depois ele vai julgá-la? Por isso acho a intimidade, o companheirismo fundamental no sexo, pq no sexo vale td o que se dispõe a fazer, nada pode ser cobrado, o casal tem que ser livre para fazer com vontade, não com imposição

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